Estudo da Deloitte projeta crescimento de até 150% nos prêmios globais de seguros até 2035, com a inteligência artificial como eixo central das operações. A análise da WSVP explora o que essa transformação significa para estratégia, governança, cibersegurança e continuidade de negócios.
Introdução contextual
O setor de seguros sempre foi, por definição, um negócio de precificação de incertezas. Durante décadas, essa precificação se apoiou em séries históricas, modelos atuariais consolidados e na experiência de subscritores. O que está em curso agora, porém, é uma mudança de natureza: a incerteza deixou de ser apenas um objeto de cálculo e passou a ser, também, um insumo operacional processado em tempo real por sistemas de inteligência artificial. É nesse contexto que surge a projeção da Deloitte de que os prêmios globais de seguros podem crescer até 150% até 2035, tendo a IA como elemento central das operações do setor.
Para executivos de empresas de todos os portes — não apenas seguradoras —, esse movimento importa por dois motivos. Primeiro, porque o seguro é infraestrutura silenciosa da economia: ele viabiliza investimentos, protege cadeias produtivas e sustenta a capacidade de assumir riscos. Segundo, porque a digitalização acelerada do setor cria novas exigências de governança, segurança e continuidade que transbordam para clientes, fornecedores e parceiros. A pergunta relevante não é apenas se o mercado vai crescer, mas como ele vai crescer e quais capacidades as organizações precisarão desenvolver para operar nesse novo ambiente.
O que aconteceu
Segundo a coluna da Broad, do O Estado de S. Paulo, um estudo da Deloitte projeta que os prêmios de seguros podem crescer até 150% no mundo até 2035. A descrição original da notícia destaca que, segundo o estudo, a inteligência artificial será um elemento central das operações do setor.
O dado é relevante por combinar duas dimensões. A primeira é quantitativa: um crescimento de 150% em pouco mais de uma década implica expansão significativa de receita, mas também de exposição ao risco, de volume de dados e de complexidade operacional. A segunda é qualitativa: ao colocar a IA no centro das operações, a Deloitte sinaliza que o setor não está apenas adotando ferramentas pontuais, mas reorganizando processos de subscrição, sinistros, atendimento, detecção de fraudes e gestão de capital em torno de modelos algorítmicos.
Vale registrar o que a notícia não afirma. A projeção é uma estimativa de mercado, não uma garantia. Crescimento de prêmios não equivale automaticamente a lucratividade, e a adoção de IA não é, por si só, redutora de risco. Empresas que tratarem a projeção como destino certo, e não como cenário a ser gerenciado, podem se expor a decisões de investimento mal calibradas.
Por que isso importa para empresas
Para além das seguradoras, a transformação descrita pela Deloitte afeta qualquer organização que dependa de cobertura securitária, de crédito ou de contratos de longo prazo. Três implicações merecem atenção executiva.
1. Precificação mais dinâmica e mais opaca. Se a IA passa a centralizar a subscrição, os prêmios tendem a refletir dados em tempo real, comportamento observado e sinais preditivos. Isso pode beneficiar empresas com boa maturidade de dados e penalizar aquelas com histórico fragmentado ou controles fracos. A assimetria de informação entre segurado e seguradora tende a aumentar, não a diminuir.
2. Novos critérios de elegibilidade. Modelos de IA podem incorporar variáveis que vão além do risco tradicional — práticas de governança, postura de cibersegurança, resiliência de fornecedores, conformidade regulatória. Na prática, a apólice deixa de ser um contrato financeiro e passa a ser, também, um instrumento de avaliação de maturidade organizacional.
3. Pressão sobre a função de gestão de riscos. Se o setor segurador se digitaliza, os riscos segurados também se digitalizam. Ciberincidentes, falhas de modelo, dependência de terceiros e interrupções de serviços em nuvem ganham peso relativo. A empresa que não consegue demonstrar controle sobre esses riscos pode enfrentar prêmios maiores, exclusões contratuais ou até recusa de cobertura.
Impacto para cibersegurança, governança, IA ou continuidade
A projeção da Deloitte funciona como um espelho para a maturidade corporativa. Se a IA será central nas operações do setor de seguros, ela também será central na forma como riscos são avaliados, transferidos e cobrados. Isso desloca a discussão de cibersegurança e governança do campo técnico para o campo estratégico.
Em cibersegurança, a consequência é direta: a qualidade dos controles passa a ter valor econômico mensurável. Empresas com detecção, resposta e recuperação maduras tendem a negociar melhores condições. Empresas com lacunas conhecidas podem ser tratadas como risco elevado, com custo correspondente. A segurança deixa de ser centro de custo e passa a ser ativo de negociação.
Em governança, o desafio é de rastreabilidade. Modelos de IA usados para precificar, detectar fraudes ou automatizar sinistros precisam ser auditáveis, explicáveis e monitorados. Isso exige políticas de uso de IA, comitês de risco de modelo, documentação de decisões e mecanismos de contestação. Sem isso, a organização fica exposta tanto a riscos regulatórios quanto a riscos reputacionais.
Em continuidade de negócios, a dependência de IA cria um novo tipo de ponto único de falha. Se um modelo central falha, é manipulado ou se torna indisponível, processos críticos podem parar. Planos de continuidade precisam contemplar cenários de indisponibilidade de modelos, degradação de dados e dependência de provedores externos. A resiliência deixa de ser apenas sobre infraestrutura e passa a ser também sobre algoritmos.
Há ainda uma dimensão regulatória. Iniciativas como a Lei de IA da União Europeia e diretrizes de órgãos como a Susep no Brasil apontam para maior escrutínio sobre sistemas automatizados em setores sensíveis. O crescimento projetado pelo estudo da Deloitte tende a acelerar esse movimento, não a contê-lo.
Leitura executiva da WSVP
A WSVP interpreta a projeção da Deloitte como um sinal de que o seguro está deixando de ser um produto padronizado para se tornar um serviço contínuo de avaliação de risco. Nessa transição, três teses orientam nossa leitura.
Primeira: o crescimento de prêmios será desigual. Não será distribuído uniformemente entre regiões, linhas de negócio ou perfis de cliente. Empresas com dados estruturados, governança madura e postura proativa de segurança tendem a capturar mais valor. As demais tendem a pagar mais pelo mesmo risco.
Segunda: a IA será simultaneamente solução e vetor de risco. Ela melhora a eficiência operacional, mas introduz riscos de modelo, de dados, de terceiros e de conformidade. Organizações que tratarem IA apenas como ferramenta de produtividade perderão a dimensão de governança que o mercado passará a exigir.
Terceira: a fronteira entre risco segurado e risco operacional vai se dissolver. Seguradoras e segurados compartilharão cada vez mais telemetria, indicadores e controles. Isso cria oportunidades de parceria, mas também exige maturidade contratual e clareza sobre responsabilidades.
O crescimento projetado não é um convite à euforia, e sim um alerta sobre a necessidade de preparar a organização para um mercado que precifica maturidade, não apenas histórico.
Recomendações práticas
- Mapeie sua exposição a decisões automatizadas. Identifique quais processos críticos dependem de modelos de IA, próprios ou de terceiros, e avalie o impacto de uma falha ou manipulação.
- Trate cibersegurança como variável de negociação. Documente controles, métricas e planos de resposta. Isso tende a se traduzir em melhores condições securitárias e de crédito.
- Implante governança de IA com rastreabilidade. Defina políticas de uso, responsáveis por modelos, critérios de validação e mecanismos de auditoria. Sem isso, a organização fica exposta a riscos regulatórios e contratuais.
- Atualize planos de continuidade para cenários algorítmicos. Inclua indisponibilidade de modelos, degradação de dados e dependência de provedores externos entre os cenários testados.
- Reveja contratos de seguro e de tecnologia. Verifique cláusulas de exclusão, limites de responsabilidade e requisitos de notificação. A digitalização do setor tende a tornar esses detalhes mais relevantes, não menos.
- Invista em qualidade de dados. A precificação baseada em IA recompensa histórico consistente e penaliza fragmentação. Dados são, cada vez mais, ativo de risco.
Fontes consultadas
- O Estado de S. Paulo — Prêmios de seguros podem crescer 150% no mundo até 2035, diz Deloitte
- Deloitte — site global
- Susep — Superintendência de Seguros Privados
- Comissão Europeia — Regulatory framework for AI
Disclaimer
Este rascunho foi produzido com apoio de inteligência artificial e ainda requer revisão humana antes da publicação.


