O uso de vídeos gerados por inteligência artificial em campanhas eleitorais, como o caso envolvendo Flávio Bolsonaro, expõe riscos jurídicos e reputacionais que empresas precisam mapear em suas estratégias de comunicação e governança.
Introdução contextual
O avanço da inteligência artificial (IA) generativa trouxe novas fronteiras para a comunicação, mas também criou um terreno fértil para controvérsias. No cenário político brasileiro, o uso de vídeos sintéticos em campanhas eleitorais tornou-se um tema central, especialmente após o episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. A notícia de que ele nega que o ex-presidente Jair Bolsonaro soubesse de um vídeo gerado por IA reacende o debate sobre os limites éticos e legais dessa tecnologia. Para empresas, o caso não é apenas uma manchete política: ele sinaliza riscos concretos em comunicação, governança e conformidade.
O que aconteceu
Segundo o Correio do Povo, Flávio Bolsonaro afirmou que o vídeo produzido com inteligência artificial não viola a lei eleitoral, declarando: "Não tem nada de errado nisso". A peça, cujo conteúdo não foi detalhado na matéria, teria sido criada sem o conhecimento do ex-presidente. A declaração ocorre em meio a um contexto de crescente regulação sobre deepfakes e conteúdo sintético, tanto no Brasil quanto no exterior. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já possui resoluções que tratam do uso de IA em campanhas, mas a interpretação sobre o que é permitido ainda gera controvérsias.
Por que isso importa para empresas
O caso transcende a esfera política e oferece lições valiosas para o setor corporativo. Em primeiro lugar, ele demonstra como a IA pode ser usada para criar conteúdo altamente realista e potencialmente enganoso, o que representa um risco reputacional imediato. Empresas que utilizam IA generativa em suas comunicações — seja em marketing, relações públicas ou atendimento ao cliente — precisam estar atentas às implicações legais e éticas. Além disso, a declaração de Flávio Bolsonaro de que "não tem nada de errado" reflete uma postura que pode ser replicada por organizações que subestimam os riscos de conformidade. No ambiente corporativo, a falta de uma política clara sobre o uso de IA pode levar a sanções regulatórias, danos à marca e perda de confiança dos stakeholders.
Impacto para cibersegurança, governança, IA ou continuidade
O episódio evidencia a interseção entre IA, cibersegurança e governança. Do ponto de vista da cibersegurança, a proliferação de deepfakes aumenta a superfície de ataque para fraudes, como o uso de vídeos falsos em golpes de engenharia social. Empresas que não implementam mecanismos de detecção de conteúdo sintético podem ser alvos fáceis. Na governança, a ausência de diretrizes claras para o uso de IA pode gerar passivos legais, especialmente com a entrada em vigor do Marco Legal da IA no Brasil (PL 2338/2023), que prevê responsabilização por danos causados por sistemas de IA. A continuidade de negócios também é afetada: uma crise reputacional desencadeada por um conteúdo gerado por IA pode interromper operações, afetar parcerias e impactar a cadeia de suprimentos.
Leitura executiva da WSVP
Na visão da WSVP, o caso Flávio Bolsonaro é um alerta para que empresas tratem a IA como um ativo estratégico, mas também como um risco a ser gerenciado. A declaração do senador, embora politicamente motivada, reflete uma mentalidade comum no mundo corporativo: a de que a inovação tecnológica está acima das normas. No entanto, a realidade regulatória está mudando rapidamente. O TSE já estabeleceu regras específicas para o uso de IA em eleições, e o PL 2338/2023 deve impor obrigações mais rígidas para empresas que desenvolvem ou utilizam sistemas de IA. A WSVP recomenda que as organizações adotem uma postura proativa, criando comitês de ética em IA, realizando auditorias de conteúdo e estabelecendo protocolos de transparência. A reputação é um ativo intangível que pode ser destruído em minutos por um vídeo falso; portanto, a prevenção é mais barata do que a remediação.
Recomendações práticas
- Estabeleça uma política de uso de IA: Defina diretrizes claras para a criação e disseminação de conteúdo gerado por IA, incluindo a obrigatoriedade de rotulagem e aprovação prévia por áreas jurídica e de comunicação.
- Invista em detecção de deepfakes: Implemente ferramentas de verificação de autenticidade de mídia para proteger a marca contra fraudes e ataques de engenharia social.
- Capacite equipes: Treine colaboradores para identificar conteúdos sintéticos e para agir de acordo com os protocolos de resposta a incidentes.
- Monitore a regulação: Acompanhe as atualizações do Marco Legal da IA e das resoluções do TSE, adaptando as práticas internas às novas exigências.
- Crie um comitê de ética em IA: Reúna profissionais de tecnologia, jurídico, compliance e comunicação para avaliar riscos e oportunidades do uso de IA.
- Desenvolva um plano de crise: Prepare cenários de resposta para casos de uso indevido de IA, incluindo comunicação transparente com stakeholders e autoridades.
Fontes consultadas
- Correio do Povo - Flávio nega que Bolsonaro soubesse do vídeo gerado por inteligência artificial
- TSE - Resolução sobre uso de IA nas eleições
- Câmara dos Deputados - PL 2338/2023 (Marco Legal da IA)
Este rascunho foi produzido com apoio de inteligência artificial e ainda requer revisão humana antes da publicação.


